“Os clientes compram pelas razões deles, não pelas suas.” - Orvel Ray Wilson.
Existe uma cena muito comum no dia a dia de quem empreende:
Um cliente entra em contato, faz poucas perguntas e logo chega ao ponto:
“Qual é o preço?”
Para muitos negócios, essa conversa se repete tantas vezes que começa a parecer inevitável. Surge então a sensação de que o mercado está difícil, que as pessoas só querem economizar ou que todos estão comparando valores.
Mas, em muitos casos, o problema não começa no preço e sim, na forma como a marca está sendo percebida.
Vamos conversar sobre isso?!
Quando a comunicação vira apenas uma vitrine
Abra o Instagram de muitas empresas e você provavelmente verá um padrão: promoção, oferta, preço e mais uma promoção.
Quando todo conteúdo é uma tentativa de vender algo imediatamente, a marca passa a funcionar como uma vitrine digital, mas vitrines, por natureza, competem por preço!
A verdade é que isso não acontece porque o produto é ruim, acontece porque a relação com o público ainda não foi construída. Entenda que marcas fortes não começam pela venda, elas começam pela relação, ajudam, orientam, ensinam, inspiram e, dentro dessa relação, a venda acontece com muito mais naturalidade.
Curiosamente, esse comportamento já foi estudado diversas vezes. Pesquisas do Edelman Trust Barometer mostram que consumidores tendem a confiar muito mais em marcas que produzem conteúdo útil e educativo do que naquelas que apenas promovem seus produtos. Confiança, nesse contexto, nasce da utilidade e não da oferta.
Quando o preço vira a única referência
Outro ponto comum acontece quando a comunicação da marca gira sempre em torno de preço:
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- descontos;
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- promoções;
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- comparações.
Preço é importante, claro. Entretanto ele raramente sustenta a percepção de valor sozinho. Porque quando um cliente não entende claramente o valor de algo, ele recorre ao critério mais simples para decidir e o critério mais simples costuma ser o número.
Isso acontece porque o cérebro humano busca economizar energia nas decisões. O psicólogo e economista Daniel Kahneman explica que grande parte das nossas escolhas acontecem de forma rápida e intuitiva. Nesse contexto, quando as diferenças entre opções não estão claras, o preço acaba virando um atalho mental.
É como se o cérebro pensasse: “Se tudo parece parecido, vou escolher o mais barato.”
E aqui está a questão! O desafio das marcas, portanto, não é apenas justificar o preço, mas tornar o valor visível.
As pessoas não compram apenas características
Existe uma frase muito conhecida no mundo do marketing, atribuída ao professor Theodore Levitt, da Harvard Business School:
“As pessoas não querem comprar uma furadeira de um quarto de polegada. Elas querem um furo de um quarto de polegada.”
Com o tempo, especialistas começaram a expandir essa ideia.
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- Talvez as pessoas também não queiram apenas o furo.
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- Talvez queiram pendurar um quadro.
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- Talvez queiram deixar a casa mais bonita.
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- Talvez queiram sentir orgulho do espaço onde vivem.
Percebe como a lógica muda?
Quando uma marca fala apenas de características, ela descreve o produto em si, ao passo que, quando fala de impacto, mostra o que muda (de fato) na vida do cliente.
E essa diferença é enorme:
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- Um corte de cabelo pode significar autoestima.
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- Uma consultoria pode significar clareza para tomar decisões difíceis.
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- Uma estratégia de marca pode significar direção para crescer.
O produto é o meio e o valor está no que ele transforma.
Outro ponto silencioso: o porquê da marca
Marcas que crescem ao longo do tempo costumam deixar claro em que acreditam, não apenas o que fazem, mas por que o fazem.
Esse conceito ganhou muita força depois que Simon Sinek popularizou a ideia do “Golden Circle”, mostrando que empresas inspiradoras começam a comunicação pelo propósito, não pelo produto.
Quando uma marca deixa claro sua visão, as pessoas conseguem se conectar com algo maior do que uma transação, uma vez que entendem a intenção. E a intenção cria conexão.
Quando o conteúdo não ajuda ninguém
Existe ainda um último ponto que muitas vezes passa despercebido: Conteúdo que apenas promove, cansa!
Em um ambiente digital saturado de anúncios e ofertas, o público naturalmente desenvolve uma espécie de filtro. Aquilo que parece apenas mais uma tentativa de vender algo tende a ser ignorado. Por outro lado, conteúdos que ajudam, explicam, orientam ou ensinam criam uma dinâmica completamente diferente, constroem autoridade que por sua vez, constroi confiança.
Esse movimento já é visível há alguns anos. Um estudo do Content Marketing Institute mostrou que empresas que produzem conteúdo educativo consistente conseguem gerar níveis muito maiores de engajamento e lembrança de marca do que aquelas que utilizam apenas comunicação promocional.
Quando uma marca se torna útil, ela passa a ocupar espaço na mente das pessoas (e nunca se esqueça, a lembrança na mente das pessoas é um dos maiores ativos da marca – especialmente se positiva).
Talvez o problema não seja o preço
Depois de observar todos esses pontos, uma pergunta importante surge: será que o desafio está realmente no preço? Ou será que o valor ainda não está claro o suficiente?
Quando as pessoas entendem o significado do que você entrega, a conversa muda. A decisão deixa de ser apenas sobre números e passa a envolver confiança, identificação e percepção. O que não acontece de um dia para o outro, mas acontece quando uma marca decide ir além da vitrine e começa a construir presença, clareza e valor na forma como se comunica.
Construir marca, no fim das contas, é exatamente isso: tornar o valor visível.
E se precisar de ajuda nesse caminho, estamos por aqui.